Retrospectiva

O ano que reescreveu nossas histórias

Maior pandemia dos últimos cem anos marcou a vida da humanidade em um capítulo triste que teve grandes reflexos em Pelotas

QZ7 Filmes 0133Cidade ficou vazia durante o lockdown (Foto: QZ7 Filmes)

2020 foi um ano que mudou todos nós. A maior pandemia dos últimos cem anos marcou a história da humanidade. A Covid-19 deu um ponto final a milhões de histórias ao redor do mundo e adicionou um capítulo que ninguém imaginava. Uma daquelas páginas que, se pudéssemos, teríamos rasgado e jogado fora.

Mas esta página foi escrita e essa história nos trouxe um protagonista que alterou nossas vidas para sempre. Tivemos que aprender a lidar com a saudade, fazer o sacrifício de nos distanciarmos daqueles que amamos em nome de um bem maior. Ao longo de 2020, os amigos precisaram ficar para depois, as praças ficaram vazias e as festas no final de semana foram canceladas. As escolas não se reencontraram com seus alunos e as igrejas poucas vezes receberam seus fiéis ao longo desta jornada.

2020 nos trouxe uma nova realidade. Entramos em um mundo diferente. Estranho em relação ao que estávamos acostumados. Máscaras, álcool-gel, luvas e protocolos de saúde. Distanciamento social, bandeiras, empresas fechadas e home-office. Vieram também as reuniões e aulas virtuais. Uma vida que nunca imaginamos. Uma vida que não era e passou a ser a nossa.

Olhar para trás e perceber onde estávamos em janeiro de 2020 e como entraremos em 2021 é um exercício necessário. É preciso para que sigamos fortes nestes desafios e essencial que compreendamos o momento que estamos vivendo para entender como superá-lo.

Nas próximas páginas, o Diário Popular relembra como a pandemia marcou a história. O Jornal relembra a chegada da Covid-19 e como ela impactou na Zona Sul, na cultura, nos esportes, na política, na segurança, na economia. O que começou como um surto na Ásia, tão distante da nossa realidade, logo se transformou em uma pandemia de grandes proporções.

O primeiro caso (26/2)

O Brasil confirma o primeiro caso de Covid-19. Após os primeiros registros da doença na Ásia e a sua chegada na Europa, o Ministério da Saúde passou a monitorar casos suspeitos no Brasil. Depois de 51 casos descartados, o Governo Federal confirmou a chegada da Covid-19. Em uma Quarta-feira de Cinzas, um paciente homem, de 61 anos, que viajou para a Itália e residia em São Paulo, foi anunciado como o primeiro registro da doença no Brasil.

O vírus chega ao Rio Grande do Sul (11/3)

Exatamente duas semanas depois do primeiro registro de Covid-19 no Brasil, o Rio Grande do Sul anunciou o primeiro caso da doença. Em pronunciamento oficial, o governador Eduardo Leite (PSDB), acompanhado da secretária estadual de saúde, Arita Bergmann, confirmou um homem de 60 anos, morador de Campo Bom e que esteve na Itália, como o primeiro gaúcho contaminado pelo coronavírus. No mesmo dia, o Governo Federal anunciava a contratação de mais médicos.

A OMS declara pandemia (12/3)

O primeiro caso de Covid-19 aconteceu em dezembro de 2019, em Wuhan, na China. Três meses depois, outros 119 países já tinham registrado contaminações. Diante deste contexto sanitário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou as contaminações de coronavírus como pandemia.

UFPel, IFSul e UCPel suspendem as aulas presenciais (14/3)

Uma medida de emergência que seria temporária e que acabou durando bem mais do que o planejado. A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) havia anunciado a suspensão das aulas por uma semana, enquanto que a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) decidiu por um período maior, de três semanas. O Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) optou por paralisação até o dia 3 de abril.

RS decreta calamidade pública e Pelotas fecha o comércio pela primeira vez (20/3)

O governador Eduardo Leite anuncia uma série de ações para combater a pandemia. Entre elas, a mudança nos horários de atendimento para pessoas idosas, a limitação de 50% da capacidade para transporte intermunicipal, além dos primeiros protocolos de saúde. Em Pelotas, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) anunciou o primeiro decreto de restrição de circulação. Uma das principais medidas foi o fechamento do comércio por um período inicial de 30 dias. Naquela oportunidade, somente farmácias, supermercados, restaurantes, feiras-livres, postos de combustíveis e agências bancárias. Na mesma determinação, acompanhando o governo estadual, as aulas da rede municipal também foram suspensas.

Idosa de 71 anos é o primeiro caso de Covid-19 em Pelotas (26/3)

Já vivendo as restrições de circulação e os efeitos da pandemia, Pelotas confirmou seu primeiro caso positivo no final de março. Uma idosa de 71 anos foi diagnosticada com a doença.

Prefeitos da Zona Sul reabrem o comércio (20/4)

Após flexibilização do governo estadual, os prefeitos da Zona Sul optaram por autorizar a retomada do comércio, mas com restrições. Motivados por um agravamento da crise econômica - que já era acentuada pela estiagem - os mandatários municipais liberaram as atividades. Pelotas e Rio Grande mantiveram o comércio fechado temporariamente.

Máscara se torna obrigatória no Rio Grande do Sul (12/5)

No Dia do Enfermeiro, o governo tornou obrigatório o uso de máscaras no Estado. A medida foi uma das principais imposições para evitar a contaminação dos gaúchos pelo coronavírus.

As primeiras aulas remotas (28/5)

Após alguns meses sem atividades, o governo confirmou o retorno das aulas na rede estadual em um novo modelo: o ensino remoto.

O luto pela Covid-19 chega a Pelotas (22/6)

Três meses depois dos decretos de restrição de circulação, um final de semana entrou para a história em Pelotas. No dia 22, a cidade confirmou a primeira morte por Covid-19. Uma paciente mulher, de 51 anos, que ficou internada pouco mais de um mês na UTI do Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), foi o primeiro óbito da doença no município.

Zona Sul entra em bandeira vermelha pela primeira vez (4/7)

Os números de contaminação e mortes pioraram. Os leitos começavam a serem esgotados. Com a piora nestes indicadores de propagação da doença, a região foi classificada como local de alto risco de disseminação de Covid-19. As restrições ficavam mais rígidas e os efeitos da pandemia começavam a se intensificar ainda mais.

Primeira alta de um paciente em Pelotas (16/7)

Em meio a tantas incertezas e intensificação da pandemia, ocorreu a primeira alta de um paciente que esteve em estado grave e que necessitou de ventilação mecânica. Um homem de 53 anos, natural de São José do Norte, estava internado no HE-UFPel e chegou a ficar 11 dias intubado. Foi um dos poucos momentos de celebração em um momento tão difícil.

Governo federal desiste de pesquisa da UFPel sobre Covid-19 (22/7)

Quatro meses depois de confirmada a pandemia, o governo federal não renovou o financiamento da pesquisa da UFPel. Os investimentos foram cortados após três etapas de entrevistas em 133 cidades do país. A universidade fez testes em pouco mais de 89 mil pessoas, considerado o maior estudo epidemiológico sobre o coronavírus no mundo.

Pelotas ultrapassa a marca de 1.000 casos de Covid-19 (3/8)

Cinco meses depois do decreto de calamidade pública, Pelotas ultrapassou a marca de mil casos confirmados pela Covid-19. No dia 4, com o agravamento da pandemia em Pelotas, a Prefeitura anunciou um lockdown durante 64 horas. E após cinco meses desde a chegada do vírus no Rio Grande do Sul, a Zona Sul ultrapassou a marca de 200 mortes.

Ambulatório pós-Covid passa a operar na região (6/10)

O Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia (SAE Infectologia) do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg) passou a contar com o Ambulatório pós-Covid-19. Em meio ao acréscimo destes serviços, Pelotas iniciou testes da Coronavac, produzido em laboratório chinês e testado pelo Instituto Butantan.

Estado antecipa retorno das aulas presenciais do ensino fundamental (23/10)

Previstas para serem liberadas em 12 de novembro, as atividades presenciais dos anos iniciais do Ensino Fundamental no Rio Grande do Sul receberam autorização para voltar a partir do dia 28 de outubro. A mesma data marcou a liberação do retorno das aulas dos anos finais do Ensino Fundamental. Mesmo assim, as aulas da rede pública estadual seguiram tendo como data de retorno o dia 12 de novembro. As redes municipal e privada, porém, puderam retornar no dia 28, se assim desejassem.

Justiça derruba o retorno das aulas presenciais na rede estadual (5/11)

Previstas para reiniciarem no final de outubro, as aulas presenciais da rede estadual tiveram sua retomada suspensa. A decisão foi motivada por uma determinação judicial de que as atividades só poderiam retornar depois de uma declaração de conformidade sanitária realizada por agente técnico do Estado.

Centro Covid passa a receber público de todas as idades (11/11)

Ainda na primeira quinzena de novembro, o Centro de Atendimento a Síndromes Gripais passou a atender crianças e adultos. A unidade conta com 42 leitos e possibilitou que a UPA Areal voltasse a atender outras doenças.

Pelotas ultrapassa 10 mil casos positivos de coronavírus (7/12)

Nove meses após o começo da pandemia na cidade, Pelotas passou a marca de dez mil casos confirmados. O índice acompanhou uma crescente de casos na região, que se deu nesta reta final de 2020.

Pela primeira vez, região de Pelotas entra em bandeira preta (12/12)

No mesmo dia que a cidade confirmou 301 novos casos de Covid-19 e mais sete mortes, o governo estadual classificou a região de Pelotas como bandeira preta. A determinação indicou que o risco de contaminação de coronavírus era altíssimo nos municípios deste grupo.

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